Vamos falar sobre Amamentação Prolongada?

Além de ser primordial para alimentar o bebê, a amamentação cria um laço muito forte entre mães e filhos. Apesar das brasileiras amamentarem em média apenas 54 dias, algumas mães optam pela prática prolongada, que vai além dos seis meses e cria vínculos ainda mais fortes.

Conversamos com a Manuela Alvim Soares de Laureano, a Manu, que optou pela amamentação prolongada. Ela contou como é estar amamentando a Mel, de dois anos e meio, e desabafou sobre as dificuldades do pós-parto. Manu pensa no desmame da filha, mas não quer que seja de forma abrupta. Venha conhecer a história dessa mãezona!

A Mel é a sua primeira filha? Sim.

Você sempre pensou na amamentação prolongada? Eu não pensei em amamentar muito tempo. Tive muita dificuldade no começo e quase desisti. Meu seio rachou, tive depressão pós-parto e não queria mais amamentar, mas continuei tentando e foi tudo fluindo bem. Eu sempre pensei em amamentar exclusivamente até os 6 meses, que é o que a Organização Mundial de Saúde fala que é bom para o bebê, mas foi fluindo, foi fluindo e a gente caminhou até os dois anos. Sempre li muito. Fui vendo os benefícios e percebi que no dia a dia a Mel não ficava doente e se recupera muito rápido quando acontece. Isso tudo por causa amamentação. Chegaram os dois anos e eu não quis desmamar por uma questão de apego mesmo. É um momento meu e dela só, e ninguém tira isso. Passamos por umas mudanças de vida e não achei justo, num momento em que ela não estava num espaço dela, parar de amamentar. Hoje em dia, não é nem tanto mamar o leite, mas sim um conforto. Por isso eu acabei deixando.

Quantas vezes por dia você amamenta a Mel? Ela vai para a escola, então mama mais à noite, quando chega da escola. Na madrugada mama umas duas vezes e só.

Você dá outro leite pra ela? Não, só leite materno.

Como o seu marido, família e amigos vêem a sua decisão sobre a amamentação prolongada? As pessoas criticam, dão opinião? O meu marido super me apóia, sempre me apoiou. Ele brinca: “Deixa ela mamar até os 7 anos”. E eu não ligo, não me importo que ela mame. Esteja onde eu estiver, se ela quiser mamar, ela mama. Se alguém olhar, eu não ligo, mas eu tive sorte de nunca ninguém ficar olhando. Nunca ninguém prestou atenção, ficou falando: “Nossa, grande desse jeito e mamando”. Minha cunhada me ajudou muito no pós-parto, e na amamentação também. Tive muita parceria, que é o que é mais importante para a amamentação. É você ter alguém pra estar do teu lado, e eu tive uma doula que também sempre me ajudou muito.

Todo mundo acha que a amamentação é uma coisa instintiva, mas na verdade é preciso técnica, certo? É, o bebê precisa aprender a mamar. Na verdade, tem que ter uma pega correta, se não tiver, machuca muito o seio da mãe. E aí muitas mães desistem porque machuca mesmo. Chega a sangrar, racha e se você não tiver orientação, você para, desiste. É por isso que o Brasil é um dos lugares onde se amamenta por menos tempo. A média é de dois a três meses. Quando pensei em desistir, pedi pra minha doula ir até a minha casa. Aí ela falou assim: “Manu, se você não está conseguindo, não será menos mãe por dar mamadeira. Então dê mamadeira. Você acha que fez tudo o quê poderia?” Só que eu não queria, queria continuar tentando amamentar – e eu insisti, insisti, insisti e consegui. A Mel nasceu muito pequenininha e o meu seio é grande, então foi difícil adaptar a pegada e tudo o mais. Quando a gente conseguiu se entender e descobri que dava para amamentar deitada, foi vida.

A sua obstetra e a sua pediatra palpitaram sobre a amamentação? Fizeram algum elogio? A pediatra que eu levo a Mel desde quando ela tinha 6 meses sempre foi a favor da amamentação, e sempre me incentivou a amamentar. Minha obstetra também. Ela acompanhou tudo e sempre me estimulou. Quando falei que não queria mais amamentar, ela falou para eu continuar. Disse que era muito bom. Eu tive sorte.

Como é a alimentação da Mel? Ela come bem ou troca alguma refeição pela mamada? Ela come super bem. Ela não troca muito não. Ela mama, hoje em dia, muito mais pelo conforto porque ela come super bem.

Você tem planos de desmame ou vai até quando a Mel quiser? Na verdade, estava querendo desmamar por agora, mas não estou conseguindo. Não estou no pique, não quero fazer um desmame abrupto. Quero fazer um desmame conduzido. E para isso você tem que estar no pique, para poder distrair a criança e um monte de coisas. Estou vendo alternativas. Quero comprar um livro chamado “Mamar quando o sol raiar”, para a criança ir entendendo que é para mamar só quando acordar. Depois, tem o “Tchau Tetê” Uma coisa mais lúdica mesmo. Eu vou tentar. Vamos ver. 



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