Vacina da covid-19: por que as crianças estão no fim da fila

Vacina da covid-19: por que as crianças estão no fim da fila

É grande a expectativa pela chegada da vacina da covid-19. Muita gente está contando com a imunização para dar sequência aos seus planos, inclusive para mandar os filhos de volta para a escola. No entanto, semana passada, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) alertou que as vacinas contra a covid-19 podem não ser recomendadas inicialmente para as crianças. Também não há garantia que toda a população seja vacinada em 2021.

“Para uma pessoa comum, jovem e saudável, talvez seja necessário aguardar até 2022 para ter a vacina”, afirmou também nesta semana a cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, de acordo com a BBC News. Profissionais de saúde, idosos e pessoas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, devem ser os primeiros a receber a vacina. Segundo o CDC, as crianças, que raramente têm sintomas graves do novo coronavírus, ainda não foram submetidas a nenhum teste de vacina da covid-19 nos Estados Unidos.

Aqui no Brasil, especialistas da área têm dado declarações na mesma direção, de que a vacinação dos pequenos contra a covid-19 não deve ocorrer num primeiro momento. Em entrevista ao Estadão, no fim de setembro, o presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Renato Kfouri, disse que as crianças não serão prioridade porque não adoecem com mais gravidade do que outros grupos e não transmitem com mais frequência. “É um erro esperar a vacina para voltar às aulas e para brincar, porque elas não serão vacinadas tão cedo. Acredito que nem em 2021 a gente vai vacinar as crianças.”

Portanto, nesse cenário de ansiedade pela vacina da covid-19, é importante saber que as doses não estarão disponíveis a todos os grupos da população de uma vez. E aqueles que têm menos riscos de desenvolver formas graves da doença ficarão para o fim da fila. Isto é, esperar a criança estar vacinada para voltar às aulas presenciais pode ser algo muito distante.

E QUANDO AS CRIANÇAS BRASILEIRAS SERÃO INCLUÍDAS NOS TESTES?

Atualmente, segundo a reportagem da BBC, 213 vacinas contra a covid-19 estão em desenvolvimento. Dessas, 36 estão no estágio de pesquisa clínica, que envolve testes com seres humanos. Nesse grupo, há nove imunizantes na fase 3 dos estudos, a última etapa antes da aprovação final pelas agências regulatórias dos países. No Brasil, dos quatro testes clínicos autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apenas um engloba pessoas a partir de 16 anos: a produzida pela Pfizer junto com a BioNTech, de acordo com o Estadão.

Em entrevista ao jornal O Globo, publicada em 23 de setembro, o diretor médico de Pesquisas Clínicas do Instituto Butantan, o infectologista colombiano Ricardo Palacios, à frente da pesquisa da vacina da Sinovac, prevê que estudos com crianças e adolescentes comecem ainda em 2020. Já sobre a vacina elaborada pela Universidade de Oxford e a AstraZeneca, e a produzida pela Johnson&Johnson, também do Brasil, ainda não há previsão sobre a inclusão de crianças nos testes.

Especialistas da área ouvidos pela reportagem do Estadão explicaram que a prioridade é definida pelos dados epidemiológicos e que pensar em uma vacina para o público infantil exige certo cuidado. As crianças podem ter resposta imunológica diferente dos mais velhos e precisar de doses distintas também. No caso do imunizante contra a covid-19, os dados epidemiológicos e os primeiros achados sobre os impactos da doença nortearam as pesquisas. Desse modo, o foco está nos grupos com mais risco de complicações pela infecção, situação que não contempla as crianças.

ENQUANTO ISSO…

Com as escolas reabrindo e sem vacina, pais seguem no dilema de mandar ou não os filhos para a sala de aula. Pesquisas que vêm sendo realizadas em todo o mundo indicam que as porcentagens de rejeição ao retorno às salas de aula físicas oscilam sempre entre 70% e 80%. Ou seja, mesmo com a adoção de protocolos de segurança, essas crianças tendem a continuar nas “salas de casa” até haver vacinação para todos.

A reportagem da bebe.com.br, publicada em 16 de outubro, ouviu especialistas para saber os prós e os contras de permanecer nas aulas online enquanto as escolas colocam em prática a volta gradativa ao presencial.

“Não existe certo ou errado, existem padrões mais adequados para cada família”, diz o psicólogo e pedagogo Lucas Fonseca, lembrando que fazer uma escolha desta magnitude é algo inédito em nossa geração. A psicopedagoga Esther Cristina Pereira salienta a falta que o convívio social faz para as crianças em início de vida escolar. “Vamos deixar o pedagógico em segundo plano: é o emocional o foco aqui”. Pediatras, inclusive, dizem que a falta de ir à escola tem causado problemas emocionais que demandam a prescrição de medicamentos. A reportagem também dá dicas para quem, mesmo com medo, quer tentar se adaptar à nova rotina das escolas. Vale a leitura!



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