Trabalho de parto de apenas 6 horas leva mãe a ter o bebê em casa

Trabalho de parto de apenas 6 horas leva mãe a ter o bebê em casa

Com 37 semanas e alguns dias, Nathália Brenner Zulian é surpreendida pelo rompimento da bolsa na madrugada e acaba dando a luz a Isabella no chuveiro de casa na mesma manhã.

A chegada da Isabella foi um susto, segundo Nathália. Ela estava com 37 semanas e dois dias quando, em uma madrugada em que estava sozinha em casa, se deu conta que a bolsa tinha rompido. O que seria motivo de correria não intimidou Nathália, que estava tranquila e preparada para aquele momento. Já tinha planejado um parto natural hospitalar no qual seria assistida por seu obstetra e uma equipe com enfermeira e doula. Mas não foi bem isso que aconteceu. Tudo começou por volta das 3 horas e às 9h02 Isabella já estava nos braços de Nathália num parto domiciliar não programado, feito praticamente sozinha.  

Conheça o relato emocionante dessa mãe de primeira viagem, que soube ouvir o seu corpo e seus instintos e acabou dando à luz em casa.

 

Quais eram seus planos para o nascimento da Isabella? Como seria o parto?

Desde o começo, eu queria um parto hospitalar e não domiciliar. O plano era um parto humanizado, natural, mas no hospital e com a equipe do Doutor Gustavo Ventura me assistindo e me apoiando.

 

Você estava sozinha quando a bolsa estourou?

Sim. Meu marido viaja toda semana a trabalho, estava em Cuiabá. Na semana seguinte, iria para Manaus e na outra, quando eu estivesse com 39 semanas, ficaria em casa. A gente não imaginava que fosse nascer antes disso, pensava que chegaria às 40 mas fomos surpreendidos pela Isabella.

Acordei umas 3 horas achando que estava fazendo xixi e, no banheiro, vi que provavelmente era a bolsa. Coloquei um protetor de calcinha que pouco depois ele já estava molhado. Substituí por um absorvente noturno e fiquei deitada tentando dormir, mas não consegui. A bolsa tinha estourado parcialmente, porque foi saindo pouquinho líquido.

Criei um grupo no WhatsApp, coloquei o meu obstetra, a enfermeira e a doula. Estava todo mundo dormindo e como eu estava tranquila, achei que não precisava ligar para ninguém. Imaginava que o processo fosse demorar muito.

Às 5 horas, fui no banheiro e tinha saído uma gosminha, que provavelmente era o tampão. Mandei foto no grupo e as cólicas começaram. Comecei a marcar as contrações através de um aplicativo: estavam com 6 ou 7 minutos de intervalo, durando mais ou menos um minuto e meio.

Por volta das 6h30, meu médico respondeu. Confirmou que eu estava em trabalho de parto, pediu para eu ficar tranquila, tentar descansar e me alimentar. Só que nisso eu já tinha entrado no chuveiro umas duas vezes para aliviar a dor. Perguntei se ele achava que ia nascer, poderia ser alarme falso, ainda estava com 37 semanas. E ele falou: “provavelmente vai nascer hoje mesmo”. Respondi: “posso mandar o meu marido vir embora?”, e ele devolveu: “pode”.

Liguei para o meu marido. Nos 10 minutos que a gente conversou, eu tive umas duas contrações doloridas no telefone. Ele ficou super preocupado, correu atrás de passagem e tudo, mas só conseguiu chegar em São Paulo por volta das 22 horas.

Depois que falei com ele, liguei para a minha mãe e pedi que viesse para a minha casa. Quando ela chegou, eu já estava com bastante dor.

 

Quando você percebeu que ia dar a luz em casa?

Às 8 horas, comecei a sentir mais dor, com as contrações vindo em intervalos menores, de 5 em 5 ou de 4 em 4 minutos. A doula e a enfermeira estavam a caminho da minha casa, para me avaliar e irmos para o hospital na hora certa. Era esse o combinado desde o início.

Às 8h30, falei para o grupo: “estou sentindo muita dor e muita vontade de fazer força, como se fosse vontade de fazer cocô”. Falei para o médico no privado: “estou com medo, porque eu estou com muita dor”. Ele respondeu: “então vem para o hospital, que eu vou te esperar lá”.

Minha mãe ligou para o meu padrasto, que trabalha perto de casa, para me levar para o hospital. Quando ele chegou, uns 5 minutos depois, eu já tinha ido para o chuveiro.

Foi nessa hora que percebi que a Isabella ia nascer em casa, porque estava doendo muito e a vontade de fazer força era incontrolável. É engraçado, o nosso corpo pede. A natureza é muito perfeita. É instantâneo. O corpo pede, a gente faz. Não tinha como não fazer força.

Eu tenho a conversa no Whatsapp: eram exatamente 8h38 quando entrei no chuveiro, foi a última vez que mandei mensagem no grupo. Agachei, abracei um banquinho que usava para tomar banho. Fiz força, algumas contrações e ela nasceu às 9h02. Se eu tivesse ido para o hospital, se meu padrasto já estivesse lá, teria nascido no carro. Eu não tinha mais condições de sair do chuveiro. Na hora que entrei, pensei: daqui não saio mais. Eu já estava com muita dor e o processo estava bem ativo.  

 

Onde você estava quando a enfermeira obstetra chegou? O que foi feito por ela em casa?

A Isabella nasceu e eu a peguei direto para o meu colo. Minha mãe estava do lado de fora do box. Eu não tinha falado que ia nascer, ela só percebeu mesmo na hora em que a nenê saiu chorando. Falei para a minha mãe desligar o chuveiro, e pedi meu celular. Eu queria avisar o meu marido que sua filha tinha nascido.

Quando nasceu, foi um alívio total. Não sentia mais dor, você fica em êxtase. Minha mãe me ajudou a sair do chuveiro, ainda sangrava muito. A Isabella presa no cordão, a placenta ainda dentro de mim. Fomos para o meu quarto. Fiquei deitada na cama esperando para não fazer nenhum esforço, com a nenê cobertinha no meu colo o tempo inteiro. Quando a enfermeira chegou em casa, uns 10 minutos depois, não foi feito nenhum procedimento. Ela só foi para me buscar. Ela me colocou no carro e fomos eu, a Isabella e a minha mãe para o hospital.  

    

Como foi o atendimento no hospital? Quais os procedimentos?

Eu dei entrada no Hospital São Luiz às 10 horas. Quando cheguei, o meu médico já estava na porta me aguardando com uma maca. Estava tudo bem com a nenê e comigo também. Precisei tomar 2 pontinhos. Tive uma laceração mínima. Foi bem pouquinho.

A Isabella foi pesada, medida, tomou a vacina de vitamina K. Eu não quis que pingassem o colírio de nitrato de prata. Eu já tinha feito os exames para gonorréia, que deram negativo, então não precisava pingar. Lá foi cortado o cordão. Eu mesma cortei e lá também nasceu a placenta. No carro, eu já estava sentindo uma cólica para expulsar a placenta, mas segurei. No hospital, fiz uma forcinha e ela saiu com a ajuda do meu médico.

Às 11h, se não me engano, eu já estava no quarto. Foi bem rapidinho. Ela ficou comigo o tempo inteiro.

 

Quanto tempo vocês ficaram no hospital?

Eu fiquei internada no hospital de quinta a domingo. Não tive alta no sábado porque a Isabela teve icterícia. No sábado, ela ficou tomando banho de luz no quarto. Mas no domingo a icterícia não tinha melhorado, tinha até aumentado um pouquinho. Eu tive alta e ela precisou ficar internada na UTI tomando esse banho de luz até a outra quinta-feira. Foi a pior coisa da minha vida até hoje. O primeiro desafio foi ir embora sem levar a Isabella comigo. Você nunca imagina que pode acontecer isso. Chegar em casa sem a nenê no colo, que tristeza! Todos os dias, às 7h da manhã eu já estava no hospital e ficava até às 21h. Amamentava a cada 3hs e após cada amamentação eu tirava leite no banco de leite e deixava para ela tomar de madrugada.

 

Houve algum tipo de complicação para você no pós-parto ou para a Isabella por conta do parto inesperado?

Não teve nenhuma complicação, foi tudo tranquilo. A icterícia não tem nada a ver com o parto ter sido em casa. Quando nasce assim tão inesperadamente é porque o nenê está bem, com saúde e não precisou de assistência nenhuma. Só um sustinho que ela deu, graças a Deus!

Durante toda a gestação, eu pedia muito para Deus iluminar o meu parto, para conduzi-lo, para eu aguentar e para trazê-la com saúde e segurança. Ele fez tudo até melhor do que eu pedi. Porque foi um parto natural e tranquilo, e apesar da dor ser grande, foi muito rápido.

Sou e serei sempre grata porque ela nasceu muito bem, cheia de saúde.

 

Como foi e está sendo a amamentação?

A amamentação está sendo tranquila. Eu me preparei muito para o parto, e não sabia como seria a amamentação. A gente ouve muita coisa: que cai o bico, que sangra, que dói e que puxa com força. Então eu tinha medo, mas desde o começo ela teve uma pega boa, não me machucou. Teve só uma vez que sangrou e foi no hospital, na fase em que ela estava na UTI. Eu dava mama para ela e depois já tinha que tirar na bombinha, foi muito intenso.

Tenho bastante leite e às vezes até vaza. Fiquei muito feliz de ter tido esse sucesso na amamentação. Sei que muita gente quer, tenta tanto e não consegue. Estou na amamentação exclusiva e livre demanda: quando ela quer, estou aqui à disposição. É muito gostoso, é um ato de amor, um momento de troca e de carinho.

Eu acho que toda a mulher deveria passar pelo parto normal. A amamentação, então, nem se fale. Eu entendo que tem mulher que não consegue, mas não querer viver isso quando se tem um filho, isso eu não posso entender. Eu recomendo, não tem explicação.

 


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