Semana de Apoio à Amamentação Negra. Já ouviu falar?

Semana de Apoio à Amamentação Negra. Já ouviu falar?

Você já ouviu falar em Semana de Apoio à Amamentação Negra? Bem provável que não. A data existe nos Estados Unidos (Black Breastfeeding Week) e acaba de ser lançada no Brasil por iniciativa da psicóloga (e consultora de amamentação) Fe Lopes e da pediatra Tiacuã Fazendeiro, idealizadoras do projeto “Igbaya – Apoio à Amamentação Negra”. A semana acontece de 25 a 31 de agosto, dentro das comemorações do Agosto Dourado, e traz conteúdo e bate-papo ao vivo (Lives!) relacionados ao tema.

O projeto ainda está engatinhando, mas já demonstrou ter apelo diante da repercussão nas redes sociais em poucos dias de criação. Mas por que uma data específica às mulheres negras quando há um mês dedicado ao incentivo à amamentação de todas as mamães, independentemente de raça? O projeto, dizem as profissionais, vai muito além destes sete dias.

“A ideia não é que seja só uma discussão das determinantes sociais em saúde na amamentação. É uma discussão que vai pensar a saúde de um jeito global. Abordar questões biológicas, não só sociais. Na população negra, há mais prevalência de anemia falciforme? Será que a medicação é compatível com aleitamento? Na população negra ,tem mais freio no lábio superior? Como fica no aleitamento? É muito mais um projeto de equidade do que particularização racial”, explica Fe Lopes, na live do Instagram para explicar a iniciativa.

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O projeto começou a ser pensado lá em 2018, quando Fe Lopes descobriu que havia a Semana de Apoio à Amamentação Negra nos Estados Unidos. Na época, começou a estudar e a se interessar mais por racismo na perinatalidade. A psicóloga conta em um post do Instagram que foi como consultora de amamentação, atendendo na rede particular, que a discussão sobre raça e racismo chegou forte para ela: “Onde estavam as/os pacientes negras no meu atendimento? E onde estariam as consultoras negras? Os médicos?” Decidiu entrar em contato com as americanas para saber da possibilidade de replicar o modelo no Brasil: “Elas disseram: vai! Mas entre vai e ir levou bastante tempo. Porque conforme fomos construindo o projeto vimos que era muito mais do que uma semana”.

Inicialmente, explicam Fe e Tiacuã, as ações serão concentradas nas redes sociais (anota o Instagram pra acompanhar: @amamentacaonegra). Uma delas será formar um banco de imagens de mulheres negras amamentando, visto que quase não se encontra esse tipo de foto nos sites de busca. Para isso, um convite para as mamães contribuírem deve ser feito pelo Instagram. Também pretendem disponibilizar um formulário para saber quem são as profissionais que trabalham com aleitamento. A ideia, de uma maneira geral, é trabalhar para formar uma grande rede de apoio, mapeando também iniciativas que já existem pelo país e que elas desconhecem.

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“Não só amamentação, mas o trabalho, a educação, todos os ambientes da nossa vida são cruzados por raça e classe. E apesar da maior parte de a classe mais baixa ser negra, os negros em classes mais altas não estão livres de se defrontar com problemas causados por sua raça”, diz Tiacuã. “Igbaya (amamentar, em iorubá) junta os sonhos de contribuir para a saúde da população negra através do apoio à amamentação, ajudar a formação e o desenvolvimento de trabalhadores negros para a área da saúde e promover o letramento racial entre famílias e profissionais”, resume a pediatra ao se apresentar na página do projeto.

5 fatores que motivaram a semana da amamentação negra nos EUA

1 – Aumentar o índice de aleitamento materno diminui a mortalidade infantil
O índice de aleitamento materno na comunidade afro americana é muito menor que entre as mulheres brancas. O índice de mortalidade dos bebês negros é 2 vezes maior que o dos brancos. Estima-se que aumentar o índice de aleitamento diminuiria a mortalidade desses bebês em 50%.

2 – Prevenção de doenças
Amamentar previne doenças que são prevalentes entre as crianças afro americanas: obesidade, diabetes tipo 2, asma, síndrome da morte súbita, infecções respiratórias e diarreias.

3 – Representatividade
Há pouca representatividade tanto de mulheres negras amamentando como de mulheres negras liderando discussões sobre aleitamento materno, advogando pela causa e trabalhando com essa temática.

4 – Questões históricas
As marcas históricas do trabalho das mulheres escravizadas como amas de leite deixaram cicatrizes culturais entre as mulheres negras, e que por vezes aparecem nos desfechos da amamentação. Isso traz a necessidade de uma maior assistência às pessoas negras que amamentam.

5 – Racismo e vulnerabilidade social
O racismo impacta a vida das pessoas negras. E existem muitos negros em situação de vulnerabilidade social. Para promover o aleitamento na população negra, é necessário criar estratégias de combate ao racismo e às vulnerabilidades socioeconômicas.

Fonte: Igbaya – Apoio à Amamentação Negra



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