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Gestação, amamentação e muito mais

“Quando vou poder abraçar o vovô e a vovó?”

“Quando vou poder abraçar o vovô e a vovó?”

“Eu tinha acabado de sair do banho, quando a mamãe me disse que era pra colocar uma roupa e descer na entrada do nosso prédio. Vovô e a vovó viriam me ver. “Oba! Saudade do vovô e da vovó”, eu disse, dando aqueles pulinhos saltitantes de quando estou feliz. Não demorou muito e a mamãe continuou: “Mas lembra que o bichinho chato, aquele que pode adoecer as pessoas, do coronavírus, ainda não foi embora. Então vamos ver eles de longe”. Huummm… “Quando vou poder abraçar o vovô e a vovó?”, pensei.

Fazia muuuuuito tempo que eu não encontrava eles (108 dias!). O dia já tava quase indo embora, mas ainda não tava escuro. Coloquei a minha máscara com muitas cores e o meu tênis que fica lá na porta de casa. A mamãe levou no bolso do casaco um potinho de álcool gel. Ela explicou, de novo, que é importante passar nas mãos para proteger do bichinho. Sentei no banquinho e fiquei olhando os carros e as pessoas na rua, enquanto vovô e vovó não chegavam. Todas usavam máscaras. Passou um tempinho. Olhei pro lado, e lá estavam os dois virando a esquina! Oba! “Quando vou poder abraçar o vovô e a vovó?”, pensei.

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O tio que cuida da entrada do prédio abriu o portão pra eles. Vi vovô e vovó de longe e me escondi atrás das pernas da mamãe. Ela nem chegou perto pra dar um beijo, como sempre faz quando encontra alguém. Eles também estavam de máscaras. Não eram coloridas de bichinhos, não. Eu não conseguia ver a boca e o nariz deles. Não sei se fiquei com medo ou com vergonha. Vovô e vovó falavam comigo, mas eu não respondia. Pedi colo pra mamãe. Enquanto eles conversavam, eu fiquei olhando. O cabelo da vovó tava mais branco (logo ela que vivia no cabelereiro!) e o vovô não tava com aquela roupa chique de ir trabalhar. Mas depois de um tempo me acostumei, vi que o vovô e a vovó estavam como eu via eles por vídeo durante todos esses dias que estou em casa com o papai e a mamãe. Desci do colo da mamãe. “Quando vou poder abraçar o vovô e a vovó”, pensei.

“Palma palma palma, pé pé pé, roda roda roda, carangueijo peixe é!”. A vovó cantava e girava comigo. Como ela também sabe essa música, será? Depois eu me escondia atrás da planta e o vovô sempre me achava! Foi muito engraçado! Eu tava com muita saudade do vovô e da vovó. Lembrei que todo domingo a mamãe e o papai me levavam na casa deles pra almoçar. Os meus primos também iam e a gente brincava muito. Faz muito tempo que eu não vou na casa deles. O papai e a mamãe disseram que é por causa desse bichinho chato, que ainda não foi embora. Mas quando ele não estiver mais no meio das pessoas, quando todo mundo estiver protegido, a gente vai poder fazer tudo o que a gente fazia antes. Também vou voltar pra escolinha e ver os meus amiguinhos do maternal. O vovô disse que logo logo a gente ia se ver de novo. Eu mostrei o passarinho que eu adoro ver embaixo do prédio: olha vovô, voou! E os dois foram embora. “Mamãe, quando vou poder abraçar o vovô e a vovó?”, perguntei.”

O ser humano precisa do abraço, mas ainda é preciso evitá-lo

Que falta que faz um abraço! Há mais de 3 meses em isolamento social, diante da pandemia do novo coronavírus, tem gente que já deu um jeitinho de dar ou receber um abraço. Certamente você já viu a “luva de abraço” que a avó criou pra matar a saudade do neto, por exemplo. Ou a roupa de “astronauta” usada para possibilitar o abraço entre idosos e crianças durante a quarentena.

O fato é que o abraço é muito mais do que um gesto carinhoso. “Não só sentimos falta de abraços, como nós precisamos deles. O afeto físico reduz o estresse, acalmando o sistema nervoso simpático que durante momentos de preocupação libera hormônios do estresse prejudiciais ao nosso corpo. Uma série de estudos constatou que apenas dar as mãos a um ente querido reduziu o sofrimento de um choque elétrico”, diz o artigo intitulado “Como se abraçar durante a pandemia”, publicado em junho no New York Times.

Segundo o artigo, mesmo que o risco de contágio por meio do abraço é baixo, o mais seguro ainda é evitar qualquer tipo de contato. Mas, se o abraço for inevitável, traz dicas de como fazer de forma “segura”. Entre elas: não abraçar com os rostos muito próximos; não deixar as bochechas juntas, na mesma direção; prender a respiração, abraçar por até, no máximo, 10 segundos e, depois que acabar, sair correndo para direções opostas. 

Agora, sempre é importante lembrar: qualquer interação social ainda traz risco. O principal problema, segundo especialistas, são os assintomáticos, ou seja, pessoas que têm o vírus, mas não têm sintomas e, portanto, não sabem que estão doentes. Ao falar ou respirar, essa pessoa solta partículas contaminantes, mesmo que esteja de máscara. Um abraço, então, pode ser uma ponte para que essas partículas cheguem a outra pessoa saudável. E, para piorar, ainda não se sabe qual a quantidade necessária de partículas para deixar alguém doente.



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