Língua presa em bebês: amamentação, mastigação e fala

Língua presa em bebês: amamentação, mastigação e fala

Você já ouviu falar em língua presa em bebês? E em algum caso em que foi preciso intervenção para corrigir o freio lingual do recém-nascido? O problema é comum e merece atenção. Também chamada de anquiloglossia, a língua presa pode provocar problemas na amamentação, mastigação e até na fala da criança. É, inclusive, um dos motivos do desmame precoce. Mas esse problema tem solução. 

A língua presa acontece quando a fina membrana que conecta a língua ao assoalho da boca, o frênulo – popularmente conhecido como “freio” – é menor do que o normal, impedindo o órgão de se movimentar livremente. Aí aparecem os obstáculos. O bebê não se prende direito ao mamilo e sofre para se alimentar. Como não suga leite suficiente, precisa mamar mais vezes por dia. Isso gera, além de rachaduras e dores no peito da mãe, um desgaste que pode levar ao desmame precoce, principalmente quando a mulher desconhece a causa. Mais tarde, a criança pode ter dificuldade de se alimentar e até de falar.

Desde 2014, é obrigatória a realização do protocolo de avaliação do frênulo da língua em bebês em todos os hospitais e maternidades do país, o chamado Teste da Linguinha. Ou seja, o teste deve fazer parte do exame geral do recém-nascido, habitualmente feito pelo pediatra. Por meio dessa triagem neonatal, é possível diagnosticar a necessidade de cirurgia ou, se houver dúvidas, uma nova avaliação ao completar um mês de vida.

Com o diagnóstico, o bebê é submetido a um procedimento chamado frenotomia, ou pique na língua. O Teste da Linguinha foi desenvolvido pela fonoaudióloga Roberta Martinelli, na Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo. A Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFA) disponibiliza uma cartilha sobre o exame

Entretanto, a obrigatoriedade de realização do teste é motivo de polêmica. 

Pediatras pedem fim da obrigatoriedade do Teste da Linguinha

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) solicitou ao Ministério da Saúde a revogação da lei de 2014, que obriga hospitais e maternidades a fazerem o Teste da Linguinha em crianças recém-nascidas. O pedido foi feito em 2019 e causou indignação em outras classes profissionais. A  Lei nº 13.002/20, por enquanto, continua valendo. 

A SBP se opõe à obrigatoriedade do teste devido à pouca incidência da anquiloglossia no Brasil e ao baixo risco que a condição impõe à vida de quem a representa. Os pediatras alegam que o exame da cavidade oral do recém-nascido e lactente só pode ser aplicado por um médico e “já faz parte do exame físico realizado pelo pediatra, de forma simples e indolor, nas maternidades e nas consultas de puericultura”.

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A Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa), a Associação Brasileira de Motricidade Orofacial (ABRAMO) e o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CCFa) manifestaram repúdio ao pedido da SBP. “Equivocadamente, a SBP relata que o diagnóstico para esse transtorno pode ser feito apenas pelo médico, caracterizando reserva de mercado , tendo em vista que avaliação e detecção das alterações do frênulo lingual podem ser realizadas por distintos profissionais da saúde, dentre eles, o fonoaudiólogo…”, diz a nota, conforme o site aleitamento.com. “Nos causa estranheza, também, a SBP afirmar que a frequência da anquiloglossia é baixa, contrariando a literatura mundial”.

Independentemente da polêmica em relação ao Teste da Linguinha, é fato que a língua presa pode prejudicar a amamentação do bebê e outros aspectos de seu bem-estar. Nisso concordam pediatras, fonoaudiólogos e outros profissionais que lidam com o assunto. Aqui nesta página, a SBP responde às principais dúvidas sobre língua presa. E lembrando: em caso de necessidade de mais esclarecimentos, de insegurança ou incertezas, não deixem de buscar ajuda médica. Fale com o seu pediatra. Ir atrás de orientação é o melhor a se fazer quando se trata de maternidade. 



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