Dúvidas de quem quer engravidar em tempos de pandemia de covid-19

Dúvidas de quem quer engravidar em tempos de pandemia de covid-19

Quem está planejando ter um filho tem mais uma questão para pensar, além das habituais como planejamento financeiro, nova dinâmica familiar e idade do casal: gerar um bebê em tempos de covid-19. A pandemia completa um ano, não há sinais nem previsão para acabar e, para a mulher que está tentando engravidar, o momento de incertezas pode ser ainda mais tenso e cheio de dúvidas. Será o caso, então, de adiar os planos de aumentar a família?

“O papel do médico especialista nesse momento é de fornecer informações e apoio às mulheres em relação às suas decisões de prosseguir ou adiar a gravidez, muito mais de forma individualizada. Não há, portanto, respaldo na literatura atualmente para desaconselhar de forma genérica os planos de engravidar”, escreve a ginecologista e obstetra Juliana Olivieri em artigo para o portal PEBMED.

O fato de estar grávida não interfere na probabilidade de ter infecção pelo vírus. No Brasil, as principais orientações para quem está planejando uma gravidez, gestantes e mulheres que acabaram de dar à luz (puérperas) estão no Manual de Recomendações para a Assistência à Puérpera Frente À Pandemia de Covid-19, do Ministério da Saúde. O documento aborda questões como vias de transmissão, diagnóstico precoce e o adequado manejo de gestantes e puérperas nas diversas fases da infecção, definindo diretrizes que evitem o agravamento da doença.

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Os estudos sobre Covid-19 na gravidez ainda estão em andamento e novas recomendações podem surgir. Claro que a decisão sobre ter um bebê neste momento ou mais adiante é muito particular. Mas é possível esclarecer dúvidas sobre o que se sabe até aqui para uma decisão mais consciente.

1 – Como ficam os exames e consultas do pré-natal?

A realização do pré-natal é fundamental na prevenção e/ou detecção precoce de patologias tanto da mãe quanto do feto, permitindo um desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo os riscos para a gestante. Durante a pandemia, para diminuir o risco de exposição ao coronavírus, está indicado o espaçamento de consultas, substituindo alguns encontros presenciais por atendimento remoto. As gestantes devem receber orientações claras sobre a sequência de consultas e para onde devem ir em caso de urgência. No entanto, para gestantes com gravidez de alto risco, a recomendação é manter as consultas presenciais. Após a alta hospitalar, as consultas de rotina pós-parto podem ser feitas virtualmente.

2 – E o parto, como vai ser? É recomendado algum específico?

O Ministério da Saúde reforça que o diagnóstico de covid-19 não constitui indicação para fazer cesárea. Segundo o órgão, a determinação do momento e via de parto deverá se basear em aspectos obstétricos, idade gestacional e avaliação individual da gravidade do quadro materno. O parto mais indicado continua sendo o normal. No entanto, se houver alguma contraindicação, como em casos de placenta baixa e descolamento de placenta, pode-se optar pela cesariana. Em grupos de gestantes contaminadas pelo vírus observou-se mais taxas de partos prematuros e cesáreas. Lembrando que essa questão deve ser sempre discutida entre médico e paciente, independentemente do diagnóstico do coronavírus. O que mudou diante da pandemia foram os protocolos de segurança na hora de ter o bebê.

3 – A vacina da covid-19 é recomendada para gestantes, puérperas e lactantes?

Como já falamos neste post, a segurança e a eficácia das vacinas não foram avaliadas nesses grupos, mas estudos em animais não demonstraram risco de malformações. A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que divulgou um guia prático sobre o tema recentemente, é: “Para as mulheres pertencentes ao grupo de risco e nestas condições, a vacinação poderá ser realizada após avaliação cautelosa dos riscos e benefícios e com decisão compartilhada, entre a mulher e seu médico prescritor”. A SBP preconiza a vacinação de mulheres que estejam amamentando.

4 – Grávidas podem transmitir o coronavírus para o feto?

A possibilidade de transmissão vertical da doença, ou seja, da grávida para o bebê, existe, mas ainda precisa ser mais estudada. Em casos documentados de possíveis contaminações de recém-nascidos, não ficou evidente se a transmissão foi através da placenta ou durante o parto.

5 – Mulheres com covid-19 podem amamentar?

O manual do Ministério da Saúde diz que “a amamentação deve ser mantida em mulheres com suspeita ou confirmação de covid-19, com a utilização de máscara e medidas de higiene, desde que estas assim o desejem e estejam estáveis clinicamente. As normas para evitar o contágio do recém-nascido devem ser mantidas por 10 dias, a partir do início dos sintomas ou da confirmação diagnóstica”. A Organização Mundial de Saúde (OMS) entende que os benefícios do aleitamento materno superam o baixo risco da transmissão vertical.

6 – Como evitar a covid-19 durante a gravidez?

É importante que a mulher reforce os hábitos de higiene. É recomendado:

  • Lavar as mãos com frequência com água e sabão por no mínimo 20 segundos;
  • Usar álcool gel;
  • Evitar tocar nos olhos, boca e nariz;
  • Não ir para ambientes aglomerados e com pouca circulação de ar;
  • Beber bastante água e manter atividades físicas indicadas para a idade gestacional;
  • Usar máscaras apropriadas;
  • Ter uma alimentação equilibrada e suplementação de vitamina D e ácido fólico, caso recomendado



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