Covid-19: pediatras de São Paulo defendem escolas abertas

Covid-19: pediatras de São Paulo defendem escolas abertas

Pediatras de São Paulo assinaram um manifesto defendendo a reabertura das escolas em meio à flexibilização da pandemia da covid-19. O grupo, com mais de 100 profissionais, reúne no documento uma série de estudos científicos que apontam o baixo risco de crianças contraírem o vírus no ambiente escolar. E alertam sobre as consequências negativas de atrelar o aumento de casos do coronavírus no país à reabertura das instituições de ensino infantil. O texto foi postado nas redes sociais dos especialistas e circula nos grupos de pais do WhatsApp .

O grupo afirma, por exemplo, que os pequenos se infectam de duas a cinco vezes menos do que os adultos e que as complicações são raras nesta faixa etária – representando apenas 0,6% dos óbitos. E, ao contrário do que se acreditava no começo da pandemia, as crianças não são “super-spreaders” (disseminadores) do covid-19. Muitas são assintomáticas ou apresentam sintomas leves, principalmente as crianças mais novas, e transmitem menos a doença.

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O documento faz uma comparação também com o vírus influenza. Segundo os pediatras, “para as crianças, a exposição ao covid-19 as coloca em risco muito menor do que a exposição ao vírus influenza. E as escolas não fecham nos surtos de gripe”. E para os pais que aguardam a imunização para tirar as crianças de casa, o grupo alerta que a vacina para crianças não é uma realidade para curto nem médio prazo. Até o momento, os testes clínicos da maioria dos laboratórios contemplaram apenas adolescentes e adultos. Já falamos sobre isto neste post aqui.

Por fim, diante do tempo de pandemia longo e sem prazo para acabar, relacionaram os impactos negativos do isolamento social prolongado à saúde mental dos pequenos e ao desenvolvimento infantil. Obesidade, transtornos de ansiedade, transtornos do sono, danos pela exposição excessiva a telas são prejuízos já sentidos, dizem os profissionais. Recentemente, publicamos aqui no blog um post sobre as consequências do uso ilimitado de telas na infância.

Portanto, diante das descobertas científicas, o grupo afirma que “as escolas, seguindo os cuidados indicados, não são locais de maior infecção. A experiência europeia provou enfaticamente isso. Com as medidas de prevenção, a escola é segura para os professores e funcionários”.

Escolas estão voltando a fechar

O retorno das aulas presenciais ainda gera discussão. Apesar da defesa do grupo de pediatras em São Paulo e do “alívio” para os pais em ver os filhos de volta à escola e, muitos relatam, mais felizes, há quem tema expor os pequenos à possibilidade de infecção de um vírus que se conhece pouco. Dificilmente os protocolos de segurança, como distância social e higienização constante das mãos, são aplicados entre eles. Profissionais do ensino infantil, como professores e funcionários das escolas, também têm medo de contrair o vírus no ambiente escolar ou no trajeto ao trabalho. Afinal, muita gente enfrenta transporte público cheio para chegar ao colégio.

Escolas brasileiras têm feito, recentemente, uma reabertura gradual, mas com o aumento de casos de covid-19 nas últimas semanas correm o risco de fechar. Em Santa Catarina, por exemplo, o estado voltou a suspender as aulas após autorização de abertura.

Para a pediatra e colunista da Crescer, Ana Escobar, as escolas aplicaram protocolos de saúde muito rígidos para que as crianças, professores e funcionários pudessem voltar de forma segura, mas as pessoas não estão fazendo sua parte. “As famílias relaxaram e a gente está vendo muitos jovens indo em festas e se aglomerando irresponsavelmente, sem máscara e medidas de contenção. Então, o resultado é esse que está aí, escolas reabriram e tiveram que fechar”, disse a médica.

Enquanto durar a pandemia e a vacina não for disponível para todos, a tendência é que o retorno às aulas presenciais continue gerando discussões. Como em tudo na vida, sempre haverá prós e contras. E, nesse embate sobre educação, saúde e bem-estar, não há vencedor nem perdedor. A responsabilidade é conjunta para combater o vírus e preservar a saúde física e mental de nossas crianças.



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