Covid-19 e crianças: o que se sabe seis meses depois

Covid-19 e crianças: o que se sabe seis meses depois

Quando a pandemia do novo coronavírus começou no Brasil, há seis meses, pouco se sabia sobre a relação da covid-19 e as crianças. Estudos avançaram neste sentido e trazem esclarecimentos importantes aos pais, principalmente neste momento em que escolas reabriram ou estão se programando para isto. Mesmo que os pequenos tendem a ter um quadro clínico, em geral, mais leve que os adultos, é fundamental estar atento aos sintomas para evitar o possível agravamento da doença (ainda que raro).

Um estudo britânico publicado no fim de agosto no “British Medical Journal” mostrou que os sintomas mais comuns da doença entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos foram febre (70%), tosse (39%), náusea ou vômito (32%) e falta de ar (30%). O estudo avaliou 651 pacientes. Outros problemas intestinais, como diarreia, também podem aparecer. Mas o rotavírus, por exemplo, pode causar os mesmos sintomas. E aí, como identificar? Especialistas ressaltam: se houver um diagnóstico positivo de covid, os problemas intestinais devem servir de alerta para uma evolução mais grave.

O Brasil começou a notificar (https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/47317-brasil-monitora-sindrome-que-pode-estar-associada-ao-coronavirus) recentemente nos sistemas de monitoramento casos da chamada Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P, em português; e MIS, em inglês) em crianças e adolescentes. Trata-se de uma complicação que pode estar associada à covid-19. Febre persistente e problemas gastrointestinais — como dores abdominais, vômitos e diarreia — podem indicar a existência dela.

“A mensagem é que os pais devem estar atentos não somente a sintomas respiratórios. Na MIS, sintomas gastrointestinais são mais comuns. Uma criança com febre e dor abdominal precisa ser avaliada para SIM-P, ter o coração examinado”, diz Arnaldo Prata Barbosa, coordenador de pesquisa em pediatria do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), nesta reportagem do Globo.

No mês passado, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu uma nota de alerta sobre a SIM-P. O documento traz um resumo direcionado para profissionais que realizam o atendimento dessas crianças, reforçando seu diagnóstico e tratamento. Acredita-se que essa síndrome possa estar relacionada a covid-19, já que a maioria dos pacientes apresentava sorologia positiva para o novo coronavírus.

Geralmente os sintomas começam com dores no estômago e vômito, seguidos de febre persistente e, em alguns casos, manchas vermelhas pelo corpo. O diagnóstico de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica pode ser um desafio, visto que a doença compartilha manifestações semelhantes com outras síndromes, como a de Kawasaki, uma doença de origem imunoalérgica que também causa febre difícil de baixar.

É importante lembrar: a SIM-P é rara e já existia antes da covid-19. E, ainda que sua incidência tenha aumentado com a pandemia, a síndrome continua ocorrendo pouco.

CARGA VIRAL CRIANÇAS X ADULTOS

Apesar de muitas assintomáticas, as crianças não necessariamente têm menor quantidade de vírus (carga viral) no corpo que os adultos. De acordo com reportagem do G1, em um estudo publicado no fim de agosto, pesquisadores dos Estados Unidos constataram que crianças com a covid-19 internadas em uma UTI tinham maior carga viral do que adultos hospitalizados. As maiores quantidades de vírus foram encontradas nos pacientes com idades entre 11 e 16 anos.

Quanto maior a carga viral, maior é a capacidade que uma pessoa tem de transmitir a doença. Ainda não se sabe o quanto as crianças conseguem transmitir a doença, mas já se sabe que elas são capazes disso. Por isso, a recomendação é que crianças acima de 2 anos também usem máscara.

GRAVIDADE E MORTE

Crianças podem desenvolver quadros graves da doença, como mencionamos acima, mas a probabilidade é menor que nos adultos. Assim como o risco de morrer vítima da doença também é baixo entre crianças e adolescentes. Cientistas britânicos classificaram a morte por covid-19 em crianças como “excepcionalmente rara”.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 821 crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos) morreram por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causada pela covid-19 até o dia 5 de setembro. Outros 74 casos ainda estavam em investigação.

E sobre o fato de as crianças serem menos afetadas, a ciência sabe explicar? Por enquanto, não. Mas há hipóteses. Você pode conferir nesta reportagem do G1, que esclarece ainda outras dúvidas em relação a crianças e covid-19. Vale a leitura.



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