Coronavírus e a gravidez: os cuidados necessários

Coronavírus e a gravidez: os cuidados necessários

Você está grávida e, não bastasse a ansiedade natural do momento, se vê rodeada de informações sobre o protagonista do noticiário no momento: o novo coronavírus, batizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Covid-19. E aí a cabeça entra em parafuso, surgem as dúvidas e é preciso muuuito autocontrole pra não entrar em pânico. Preciso ficar trancada em casa? Devo usar máscara? Posso usar o transporte público? E por aí vai…

Claro, a preocupação é plausível, ainda mais porque gestantes integram grupos de risco. Mas a grávida não precisa ficar mais preocupada com o coranavírus do que ficaria com a gripe, por exemplo. As gestantes têm quase 3,5 vezes mais chances de acabar no hospital devido à gripe do que as mulheres que não estão grávidas, diz um estudo publicado em junho de 2019 no Journal of Infectious Diseases. Por isso, as campanhas sempre recomendam que as gestantes tomem a vacina contra gripe. 

Sobre a Covid-19, especificamente, a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp) emitiu comunicado em 20 de março que, de acordo com as evidências científicas disponíveis até agora, “gestantes não parecem ter maior risco de adquirir a infecção que a população geral“.

Assim que o Brasil registrou o primeiro caso do novo coranavírus, no mês passado, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) divulgou um documento com diretrizes e orientações para cuidados com as gestantes no país. Por se tratar de um vírus recente, não havendo conhecimento específico sobre o assunto para a elaboração de protocolos assistenciais, as orientações seguem as mesmas de infecções causadas por outros vírus, como o H1N1. “Até o momento, o cuidado pré-natal e obstétrico projetado para a eventualidade de termos casos de COVID-19 no país será baseado no conhecimento referente ao H1N1, claro considerando suas diferenças”, diz o comunicado.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, esclarece que as pesquisas até o momento identificaram que o vírus que causa o Covid-19 se espalha, principalmente, por contato com uma pessoa infectada através de gotículas respiratórias. Para evitar a contaminação, gestantes devem seguir as mesmas orientações de pessoas que não estão grávidas. Rosana Richtmann, infectologista do Hospital Emílio Ribas e Maternidade Pro Matre Paulista (SP), diz que a mão é um dos principais vetores de transmissão do vírus. “No entanto, apesar de o coronavírus ter um grande potencial de contágio, ele não é tão resistente aos processos de higienização. O ideal, assim, é lavar bem as mãos”, orienta Rosana, em reportagem da Revista Crescer.

O documento da Febrasgo ressalta: “salienta-se evitar aglomerações, contato com pessoas febris e contato com pessoas apresentando manifestações de infecção respiratória. Considerar que a higienização das mãos, evitar contato das mãos com boca, nariz ou olhos são as medidas mais efetivas contra a disseminação das infecções. Sabe-se que as informações são importantes e falam de estratégias simples, mas difíceis de serem efetivadas na prática”.

Se a gestante tiver coranavírus, transmite ao feto?

De acordo com a Febrasgo, até o momento não há nenhuma informação sobre o potencial do Covid-19 causar algum tipo de malformação no feto ou no bebê: “com o tempo será possível assumir informações deste tipo com segurança. Por sua vez, a liberação do aleitamento natural para puérperas infectadas por este vírus já não encontra a convergência de algumas semanas atrás. Orientação divulgada pela World Health Organization (WHO) sugere que puérperas em bom estado geral deveriam manter a amamentação utilizando máscaras de proteção e higienização prévia das mãos”.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) também diz que não há informações suficientes sobre a possibilidade desta transmissão, e que não há nenhum caso de bebês que nasceu infectado com o novo coronavírus. De acordo com o G1, o CDC afirma que o vírus não foi detectado em nenhuma amostra de líquido amniótico nem de leite materno, o que pode ser uma boa notícia sobre a questão da transmissão do vírus entre mãe e recém-nascido. 

Cuidados necessários para evitar o contágio:

  • Evitar contato próximo com pessoas apresentando infecções respiratórias agudas;
  • Lavar frequentemente as mãos (pelo menos 20 segundos), especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente e antes de se alimentar. Se não tiver água e sabão, use álcool em gel 70%, caso as mãos não tenham sujeira visível;
  • Evitar tocar olhos, nariz e boca sem higienizar as mãos;
  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Usar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir (etiqueta respiratória);
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter os ambientes bem ventilados

Fonte: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – Febrasgo

 

Mantenha-se informada sobre o coronavírus

Como se trata de uma doença nova, é importante manter-se atualizada, para saber de novas orientações das autoridades de saúde. Mas tome bastante cuidado com as fake news. Busque fontes confiáveis como sites e perfis sociais dos órgãos públicos como o Ministério da Saúde e a OMS, hospitais de confiança e veículos de imprensa com credibilidade. Não confie em informações que chegam sem a possibilidade checar a fonte original.



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