“Como foi ter meu bebê em meio à pandemia do coronavírus”

“Como foi ter meu bebê em meio à pandemia do coronavírus”

Se a pandemia do coronavírus já traz tensão e insegurança numa situação normal, imagina para uma mamãe que está prestes a dar à luz. Sim, as gestantes já ficam naturalmente ansiosas na reta final da gravidez. Com o cenário atual, de isolamento social e a transmissão comunitária do novo coronavírus, a futura mamãe tende a virar uma pilha de nervos. Além do medo de contrair a Covid-19 (como foi batizada a doença provocada pelo vírus) na reta final da gestação, a principal preocupação passa a ser: como enfrentar um hospital ou maternidade, onde pode haver casos de Covid-19 ou aglomeração de pessoas?

Em comunicado emitido em 20 de março, a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp) afirma que, de acordo com as evidências científicas disponíveis até agora, “gestantes não parecem ter maior risco de adquirir a infecção que a população geral”. E acrescenta: “o curso da infecção do novo coronavírus não tem se mostrado mais grave em gestantes”.

falamos aqui no Blog da Maya sobre os cuidados necessários para as futuras mamães diante da pandemia atual, e a Sogesp reforça: todas as gestantes devem realizar as medidas de prevenção como qualquer outra pessoa e, caso tenha algum sintoma, ela deve entrar em contato por telefone com seu obstetra de confiança. O profissional, então, orientará como proceder.

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Para ajudar a tranquilizar as mães que vivem a angústia de ver se aproximar o parto em plena pandemia do coronavírus, o Blog da Maya compartilha o depoimento da designer instrucional Lila Watanabe, que teve bebê dia 29 de março, em São Paulo. Lila já é mãe de um menino, de cinco anos. E teve agora uma menina, de parto normal, após 39 semanas de gestação.

“Com o início da disseminação do novo coronavírus no Brasil e a data do meu parto se aproximando, fiquei bastante apreensiva e com receio. Já estava em casa, em home office. E depois entrei de férias. Cheguei a cogitar adiantar o parto antes que explodissem os casos de Covid-19, principalmente em São Paulo, onde há mais pessoas infectadas. Ok, os números subiam todos os dias, mas, há algumas semanas, não havia tantos casos confirmados. A minha médica, muito tranquila, disse que não havia necessidade de induzir o parto, já que eu fui uma gestante bastante saudável. Fui falando com ela todos os dias.

A princípio, já havia escolhido onde teria o bebê. Era um hospital, não uma maternidade exclusiva. Com a pandemia do coronavírus, a médica pediu pra eu considerar o parto em um estabelecimento que fosse exclusivamente uma maternidade, que não atendesse outros tipos de pacientes. No hospital que eu e meu marido havíamos escolhido já estavam entrando pacientes com coronavírus. Mas foi somente uma ideia da médica, sem a necessidade de batermos o martelo antes. Mais uma vez, ela disse que continuaríamos acompanhando a situação. O tempo foi passando e cheguei a 39 semanas de gestação. O número de casos de coronavírus continuava aumentando. Entramos na fase de isolamento social. Meu marido e eu estávamos tensos. Mas a gente pensou: é o que temos que que passar, não tem jeito.

No domingo, dia 29 de março, entrei em trabalho de parto. Conversando com a minha médica, ela me passou que falou com outros colegas e que a situação na maternidade que chegamos a cogitar estava mais complicada do que no hospital. A maternidade estava lotada! Acho que muitos tiveram a mesma ideia inicial dela: ir para a maternidade para evitar o hospital. Então, decidimos pelo hospital.

Preocupação maior com a higienização do ambiente hospitalar

Chegando lá, fiquei bastante apreensiva ao descer do carro. Mas quando vi todos de máscara me deu uma certa tranquilidade. E os profissionais da recepção e do atendimento não chegavam perto quando não precisava. A maternidade não estava recebendo visitas. Era só a gestante e um acompanhante. Por isso também me tranquilizei. Fui para a sala de parto. Todos os profissionais usavam máscara e luva. Quando não estavam de luva, limpavam as mãos com frequência. Percebi que havia uma preocupação com a higienização do ambiente maior do que o normal. Todo mundo que era da parte burocrática não chegava perto. Então, me senti um pouco mais protegida.

É claro que a gente teve contato com muita gente, mesmo só havendo mãe e acompanhante em cada quarto. A equipe de atendimento de saúde muda com frequência. A enfermaria, por exemplo, troca de turno a cada 6 horas. Mas me senti segura porque vi que o hospital cumpriu todo o protocolo para minimizar riscos.

Tive a minha filha de parto normal. Correu tudo bem. E fiquei dois dias no hospital. A orientação na alta foi ficar isolada o máximo que conseguir. Seguir as recomendações de higiene e observar, nos próximos 7 dias, se surgiria algum sintoma. Até agora, graças a Deus, está tudo bem.”



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