Com a reabertura das escolas, você pretende mandar seu filho?

Com a reabertura das escolas, você pretende mandar seu filho?

Se há um assunto que tem trazido preocupação (e dor de cabeça!) aos pais é a discussão sobre a volta às aulas presenciais em meio à pandemia da covid-19. As escolas ainda não reabriram, mas estão caminhando para isso. Enquanto autoridades políticas e de saúde resistem em autorizar o retorno dos alunos, instituições de ensino ameaçam ir para a Justiça para retomar os trabalhos. E, no meio disso, estão os pais e suas dúvidas. Com a reabertura das escolas, você pretende mandar seu filho de volta à sala de aula?

Pesquisa Datafolha publicada nesta semana pela Folha de S.Paulo mostrou que, para 79% dos brasileiros, as escolas deveriam continuar fechadas pelos próximos dois meses. Dos entrevistados, 59% disseram crer que a retomada das aulas presenciais piorará muito a situação, e outros 20%, um pouco. Outros 18% afirmaram que não haverá efeito na disseminação do vírus, e 3% disseram não saber.

Já uma pesquisa feita nos Estados Unidos apontou que quase metade dos pais (49%) pretende mandar os filhos para a escola quando as aulas forem retomadas, apesar da pandemia. 31% dos pais planejam manter as crianças em casa e 20% estão indecisos. O levantamento mostrou um dado curioso: quanto mais alto o nível de renda, maior a probabilidade de os pais planejarem o retorno às salas de aula. O estudo sugere que os pais com mais dinheiro têm mais confiança de que a escola de seus filhos cumpra os protocolos para evitar a transmissão do novo coronavírus, de acordo com reportagem da revista Crescer. 

>> COVID-19: CRIANÇAS JÁ PODEM VOLTAR A FREQUENTAR OS PARQUES?

A expectativa de retorno à escola traz uma mistura de sentimentos a muitos pais. Por um lado, provoca alívio pela possível volta à rotina e atendimento da necessidade de convívio social das crianças (importante no desenvolvimento pedagógico e, principalmente, emocional). Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgada nesta semana mostrou que os médicos detectaram que o isolamento social mexeu, como esperado, no comportamento das crianças.

Por outro lado, a volta à escola provoca o medo de expor os filhos (e suas famílias) ao contágio do coronavírus. Até pouco tempo, falava-se que os pequenos, apesar de serem muito menos suscetíveis a desenvolver os sintomas mais graves da covid-19, eram os principais transmissores do vírus. Mas estudos têm mostrado que isso seja pouco provável no caso do Sars-Cov-2, do novo coronavírus. Um artigo publicado recentemente no Pediatrics, periódico científico da Associação Americana de Pediatria, reuniu evidências nesta linha para defender a reabertura das escolas, desde que seguindo os devidos protocolos de segurança e em locais onde a transmissão comunitária é baixa. “A principal conclusão é que as crianças não estão causando a pandemia. Depois de seis meses, temos uma riqueza de dados mostrando que crianças transmitem e se infectam menos com o coronavírus, e que são os adultos que não seguem protocolos de segurança os responsáveis por elevar a curva de contágio”, disse William V. Raszka, pediatra da Universidade de Vermont, um dos autores do artigo.

O fato é que estamos diante de uma questão de difícil solução. Governos têm se debruçado sobre estatísticas e pesquisas, mas não há consenso sobre qual seria o melhor caminho a seguir. Em termos gerais, sugere-se que pode ser seguro reabrir escolas onde não há grandes surtos da doença, mas que seria necessário manter medidas como distanciamento social. Além disso, seria essencial ter um bom sistema de testes e de rastreamento de contatos. Mesmo com risco de infecção entre as crianças ser considerado pequeno, há preocupação com funcionários e professores. Estamos há 5 meses com escolas fechadas. E talvez tenhamos que ficar mais alguns com os filhos em casa. Importante continuar acompanhando e tentar evitar, ao máximo, a dor de cabeça.

Recomendação aos pais com reabertura das escolas

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos divulgou uma série de recomendações aos pais antes de mandar as crianças para a escola, de acordo com a revista Crescer. São elas:

  • Verifique a temperatura do seu filho todas as manhãs. Se ele estiver com uma temperatura de 38°C ou mais, ele não deve ir à escola;
  • Certifique-se de que seu filho não esteja com dor de garganta ou outros sinais de doença, como tosse, diarreia, forte dor de cabeça, vômito ou dores no corpo;
  • Se seu filho teve contato próximo com um caso de covid-19, ele não deve ir à escola;
  • Também é importante se certificar de que seu filho esteja em dia com todas as vacinas recomendadas, inclusive para a gripe, já que não sabemos se pegar as duas doenças simultaneamente pode aumentar a gravidade da condição;
  • Reforce com seus filhos a importância de lavar as mãos com frequência, e ensine seu filho como fazer isso corretamente, incentivando-o a higienizar as mãos inclusive em casa;
  • Explique a importância das medidas de distanciamento social inclusive dentro da escola, sempre que possível;
  • Mande para a escola uma garrafa de água identificada com o nome do seu filho, para que ele possa beber durante o dia em segurança;
  • Envie na mochila álcool em gel e máscara extra – devidamente identificados -, se esses forem acessórios recomendados para a faixa etária do seu filho;
  • Crie rotinas de higiene antes e depois da escola, tanto para as crianças quanto para os objetos;
  • Esteja por dentro dos planos da escola para prevenção, e medidas que serão tomadas caso ocorram casos de covid-19.



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