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Amamentação e trabalho: é possível conciliar

Amamentação e trabalho: é possível conciliar

Sim, é possível conciliar amamentação e trabalho fora de casa. Mas não é uma tarefa nada fácil. Para que a empreitada seja bem sucedida é necessário muito apoio à mãe. E, quando falamos em apoio, estamos falando de mais do que um “você é capaz”. Para continuar amamentando ao voltar ao trabalho a profissional necessita de suporte logístico e técnico. Além do precioso apoio emocional.

O apoio emocional, como temos afirmado ao longo desta série especial da Semana da Amamentação, é fundamental em todas as fases da amamentação. Aliás, em todas as fases da maternidade. O fim da licença-maternidade é um momento de muita ansiedade para a mãe, independentemente se ela está amamentando ou não.

Ao mesmo tempo em que pode estar com vontade de voltar à ativa profissionalmente, pode estar se perguntando se vale a pena. Ou, então, até se sentindo culpada por querer voltar ao trabalho. Ou com medo se dará conta de conciliar maternidade e vida profissional. Em resumo, a mulher que voltará ao trabalho não é a mesma que saiu de licença. Sua rotina mudou, suas responsabilidades aumentaram, suas prioridades foram revistas. Enfim, seu mundo se transformou. E, por isso, vê-se mergulhada em questionamentos. Nesse momento, amamentação e trabalho podem parecer coisas totalmente inconciliáveis.

Mas calma! Com bastante informação e apoio, a mãe terá sucesso no desafio de conciliar amamentação e trabalho. Assim, o bebê vai tomar o leite materno oferecido por um cuidador (pai, babá, professora da escola, avós, etc) e mamar no peito quando estiver com a mãe.

Quanto leite deixar para o filho

Nesse contexto de muitas dúvidas, a mãe que está amamentando precisa resolver questões práticas para que consiga continuar com a amamentação. Primeiramente, ela precisa pensar quanto leite terá de deixar para o filho. Essa quantidade vai depender do tempo que a mulher fica longe da criança e da idade do bebê. Se é um bebê com menos de seis meses, em amamentação exclusiva, a demanda por leite será maior. Em outra situação, se for uma criança que já consome outros alimentos, a mãe precisará fazer um estoque menor de leite materno.

As mães geralmente ficam sem saber como calcular em mililitros e frascos a quantidade de leite materno. Elas não têm ideia do quanto o bebê suga a cada mamada. Se a amamentação segue a orientação mais comum de livre demanda, então! É difícil até pensar em quantas mamadas devem ser providenciadas para quando a mãe estiver distante. O melhor é observar com atenção sua rotina e conversar com o pediatra. Dessa forma, é possível ter uma noção da quantidade para a faixa etária. Dos quatro a seis meses, a média é de 180 ml a 200 ml por mamada. Porém, é preciso testar as medidas antes de voltar ao trabalho. Como assim testar? Explicaremos melhor a seguir.

Como oferecer o leite: mamadeira, copo?

Outra dúvida que a mãe trabalhadora tem é como o bebê vai tomar o leite que ela deixou congelado. A recomendação mais dada por especialistas em amamentação é que o leite seja oferecido no copo. Por que não na mamadeira? Porque pode haver a chamada confusão de bicos. Para saber mais leia nosso post “Mamadeira e chupeta atrapalham a amamentação?”.

Porém, novamente, o melhor é conversar com o pediatra. Sim, existem casos em que o bebê usa a mamadeira quando está longe da mãe e continua a pegar o peito. Afinal, amamentação é muito mais do que um ato de nutrição. Entretanto, é importante a mulher se informar sobre confusão de bicos. Assim, entender por que existe a recomendação por outros métodos (copos, colher dosadora) que não a tradicional mamadeira.

Quem vai oferecer o leite para o bebê?

Falamos mais acima sobre testar as mamadas para descobrir qual volume de leite vai saciar o bebê. Nessa fase de teste, antes de a mãe efetivamente voltar ao trabalho, é interessante que as pessoas que vão oferecer o leite participem. Por exemplo, se é o pai quem dará o leite e a família optou por tentar dar no copo, é importante ele aprender a técnica. Caso contrário, imagine a confusão para a criança – e para o pai – encarar tudo novo logo no primeiro dia longe da mãe!

Como ordenhar e armazenar o leite materno

A mãe pode ordenhar o leite por meio de bombas elétricas ou manuais e até mesmo com as mãos. Por conta do volume normalmente necessário na volta da licença-maternidade, os extratores elétricos podem ser mais confortáveis, por serem mais rápidos. Como algumas são muito caras, vale verificar se não há por perto algum serviço de aluguel desses aparelhos. Em caso de aluguel, empréstimo ou compra de segunda mão, vale a pena adquirir novas as partes que ficam em contato com os seios e o leite.

Para armazenar o leite, a orientação é utilizar frascos de vidro com tampas plásticas. Congelado, o leite humano ordenhado pode ser estocado por até 15 dias. Se ficar somente refrigerado (temperatura máxima de 5ºC), ele dura até 12 horas. A Sociedade Brasileira de Pediatria traz dicas sobre a higiene necessária para a coleta e orientações para conservação e descongelamento.

O que diz a lei sobre amamentação e trabalho?

Por lei, a mulher tem direito a dois descansos especiais, de meia hora cada, durante a jornada de trabalho para amamentar até o filho completar seis meses. A lei ainda diz que, caso haja necessidade por questões de saúde da criança, esses dois intervalos de meia hora podem ser usufruídos por mais tempo, depois dos seis meses da criança.

O que muitas mães e empresas negociam é que esse intervalo seja usado para reduzir a jornada. Assim, a mãe pode entrar uma hora mais tarde ou sair mais cedo. Algumas empresas permitem também que essas horas sejam somadas de maneira a uma volta gradual da licença-maternidade. Por exemplo, no caso de licença-maternidade de quatro meses, a mulher teria direito a uma hora de intervalo por dia por dois meses. Considerando-se 20 dias úteis no mês, seriam 40 horas no total. Assim, ela poderia, trabalhar meio período por duas semanas.

O que não há na lei é obrigatoriedade de que a empresa tenha sala de amamentação, seja para a mãe amamentar o filho ou fazer a ordenha do leite. Um projeto de lei (PL 2083/11) que estava tramitando desde 2011 na Câmara para determinar essa obrigação acabou ficando parado e foi arquivado com a abertura da atual Legislatura.

Mesmo sem a obrigação legal para a manutenção de salas de amamentação nas empresas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem um guia sobre a implantação desses ambientes.

Planejamento é fundamental para conciliar amamentação e trabalho

Um detalhe importante para a mãe na hora de planejar a logística da ordenha e do armazenamento do leite é a refrigeração. Mesmo que haja geladeira no local de trabalho, dependendo do tempo que se leva no deslocamento para casa, é preciso ter uma bolsa térmica com gelo (ou aquelas bolsas de gel ou gelox).

Como se vê por todas essas orientações, há muitos aspectos envolvidos para se conciliar amamentação e trabalho da mãe. É uma missão difícil. Não é raro, com a volta ao trabalho, por conta do estresse, da redução das mamadas e, por consequência, do estímulo a produção, o leite acabar “secando”. Mas com planejamento e apoio é conciliar amamentação e trabalho é uma missão possível e gratificante. Nada como saber que o filho tem o aconchego do seu leite mesmo quando você não está por perto!

A Maya apoia a Semana da Amamentação.



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