Amamentação durante a gravidez: pode ou não pode?

Amamentação durante a gravidez: pode ou não pode?

Muitos casais planejam ter filhos em intervalos curtos de tempo, seja para ter pouca diferença de idade entre os irmãos ou até mesmo para “emendar o trabalho”. Ou também, não raro, há mulheres que são surpreendidas por uma nova gestação enquanto ainda carregam um bebê de colo. Com o beta HCG – teste de gravidez – positivo, surgem as dúvidas: posso continuar amamentando o meu neném? Corro o risco de sofrer aborto ou parto prematuro com a amamentação durante a gravidez (a chamada lactogestação)? Aproveitando que estamos no Agosto Dourado, mês de incentivo à amamentação, e dia 15 é o Dia da Gestante, vamos ajudar as mamães.

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Gravidez não é contraindicação para amamentação. A regra geral é que a gestante pode continuar amamentando se assim desejar, estiver saudável e se não houver intercorrências na gestação. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) diz que, na maioria das vezes, não há riscos de perda gestacional ou parto prematuro devido à mãe estar amamentando. Mas faz uma ressalva: desde que a futura mamãe não tenha essa predisposição ou se a gravidez não for de risco. Por isso, a recomendação é sempre consultar um obstetra e/ou pediatra.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em artigo publicado no ano passado, diz: “de acordo com os estudos existentes conclui-se que a amamentação durante a gestação é possível e pode ser apoiada para as mulheres de risco habitual. O profissional não deve aconselhar o desmame e sim monitorar a situação de saúde desta gestante para analisar situações especiais, para identificar possíveis riscos e benefícios associados”. 

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O aleitamento materno exclusivo é recomendado até seis meses e como complementar à alimentação até pelo menos os 2 anos.  Muitas crianças, no entanto, interrompem a amamentação espontaneamente durante a nova gravidez. Em outros casos, a gestante toma a decisão de desmamar. O desmame pode ocorrer pela diminuição da produção de leite, alteração no gosto do leite (mais salgado, por maior conteúdo de sódio e menor concentração de lactose), perda do colo com o avanço da gravidez, aumento da sensibilidade do seio e cansaço materno, pelas alterações hormonais que costumam causar sonolência principalmente no início da gestação.

Há mulheres que deixam de amamentar o filho quando engravidam de novo por medo. Temem prejudicar o bebê que está mamando ou o que está na barriga. Especialistas dizem que o parto prematuro ou a perda gestacional podem acontecer independentemente do fato de a mulher amamentar ou não o filho mais velho. Amamentar durante uma gravidez normal, na maioria das vezes, não está associada a riscos para mães e bebês. Essa preocupação existe porque a mãe, quando está amamentando, libera ocitocina, hormônio envolvido na ejeção do leite e que também está relacionado às contrações durante o trabalho de parto. No entanto, isso não é um problema quando se trata de uma gestação sem complicações e riscos.

Mas… amamentar não impede a gravidez?

Não confie só no que você ouve por aí. É possível engravidar enquanto você está amamentando um bebê, sim. Por isso, se não quiser ficar grávida de novo, é muito importante usar algum método anticoncepcional adequado para quem amamenta assim que retomar a vida sexual após o parto.

Mas então por que dizem que quem amamenta não engravida de novo? O site BabyCenter explica direitinho essa questão. Em geral, as mulheres que amamentam ficam menos férteis, mas não inférteis, diz. Quanto mais o bebê mamar, menor é a chance de a fertilidade voltar. Isso ocorre porque a amamentação inibe os hormônios que deflagram a ovulação.

Algumas mulheres até usam a amamentação como método anticoncepcional, mas é necessário muito cuidado com isso, mesmo para aquelas que não estão menstruando. O primeiro óvulo do pós-parto amadurece antes de a menstruação acontecer, e você pode estar fértil sem saber.

Segundo os especialistas, para o chamado método da lactação e amenorreia (LAM) funcionar como anticoncepcional, é necessário:

  • O bebê ter menos de 6 meses.
  • Amamentar a cada, pelo menos, quatro horas durante o dia e a cada seis horas à noite.
  • Não utilizar nenhum tipo de suplementação ao leite materno, além de não tirar o próprio leite com bombinha ou com as mãos.

Quando todas as condições descritas acima são cumpridas à risca, de acordo com o BabyCenter, o método chega a ter eficiência de até 98% contra uma nova gravidez



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