Agosto Dourado: mitos e verdades sobre o aleitamento materno

Agosto Dourado: mitos e verdades sobre o aleitamento materno

Estamos no Agosto Dourado, mês dedicado ao incentivo à amamentação. O Ministério da Saúde preconiza que, até os 6 meses, os bebês recebam como alimentação apenas o leite da mãe. Mas, no Brasil, menos da metade das crianças menores de seis meses de vida (45,7%) foi amamentada exclusivamente com leite materno. O dado faz parte do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), realizado pelo Ministério da Saúde entre fevereiro de 2019 e março de 2020, e divulgado agora, na Semana Mundial de Aleitamento Materno 2020.

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O leite materno é o alimento ideal para a criança, pois é totalmente adaptado às suas necessidades nos primeiros anos de vida. Mesmo diante de todos os benefícios, muitas mamães ainda enfrentam dúvidas, mitos e preconceitos que podem resultar no desmame precoce. No ano passado, o Ministério da Saúde publicou o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, com recomendações e informações sobre como alimentar a criança para promover seu desenvolvimento e favorecer sua saúde. Com base no documento (bem completo, vale a leitura!), listamos mitos e verdades sobre o aleitamento materno.

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1 – Algumas mulheres têm leite fraco para nutrir o bebê
MITO. Muitas mulheres acreditam que o leite materno seja fraco por causa da cor. O fato é que todo leite materno é de boa qualidade, independentemente do seu aspecto. A cor e a composição do leite podem variar dependendo da dieta da mãe e, também, do momento da mamada. Em uma mamada, o leite que sai primeiro pode parecer “ralo” ou “fraco” por ser mais transparente, mas esse leite é muito rico em água, importante para a hidratação da criança, e anticorpos para protegê-la de infecções. Depois de a criança mamar por algum tempo, o leite pode ficar mais esbranquiçado ou amarelado por conter mais gorduras. É esse leite que deixa a criança com a sensação de estar satisfeita. Por isso, é importante deixar a criança mamar bastante em uma mama antes de oferecer a outra, para que o bebê possa se beneficiar de todas as qualidades do leite materno.

2 – A amamentação deve ser exclusiva até os seis meses
VERDADE.
A recomendação é que a criança receba somente leite materno nos primeiros seis meses de vida. Quando isso ocorre, dizemos que a criança está em amamentação exclusiva. Nenhum outro tipo de alimento necessita ser dado ao bebê enquanto estiver em amamentação exclusiva: nem líquidos, como água, água de coco, chá, suco ou outros leites; nem qualquer outro alimento, como papinha e mingau.

3 – O leite materno congelado não tem os mesmos nutrientes
MITO.
O leite pode ser congelado por até 15 dias sem perder suas características e qualidade nutricional, desde que armazenado adequadamente. O frasco com o leite retirado deve ser guardado no congelador ou freezer (até 15 dias) ou na prateleira mais próxima ao congelador da geladeira (até 12 horas). O leite não deve ser guardado na porta da geladeira. Se for para doação, o leite deve ser armazenado congelado por no máximo 10 dias, quando deverá ser transportado para um banco de leite humano ou posto de coleta de leite humano.

4 – O bebê deve mamar a cada duas ou três horas
MITO.
Para atender todas as necessidades do bebê, inclusive as emocionais, recomenda-se que a amamentação ocorra sempre que a criança quiser, sem horários nem intervalos pré-definidos, de dia e de noite, prática conhecida como amamentação por livre demanda. A mãe deve ficar atenta aos sinais de que a criança quer mamar, como fazer movimentos com a boca e as mãos, balbuciar e sugar a mão. A mãe não precisa esperar a criança chorar para dar de mamar. Nos primeiros meses, a criança costuma mamar várias vezes ao dia, de 8 a 12 vezes, ou mais. Com o tempo, mãe e bebê estabelecem um ritmo próprio.

5 – Quanto mais o bebê mamar, mais leite a mãe produzirá
VERDADE.
A quantidade de leite que a mulher produz depende principalmente de quanto de leite está sendo consumido pela criança ou retirado da mama. Logo, quanto mais vezes a criança for ao peito e mais leite consumir, mais leite a mulher vai produzir. Isso explica por que as mulheres podem doar leite sem que isso prejudique a amamentação de seus filhos, assim como mães de gêmeos são capazes de alimentar as crianças exclusivamente com o seu leite. Neste post explicamos como saber se a pega está correta.

6 – Mamas pequenas produzem pouco leite
MITO.
O que determina o tamanho das mamas é a gordura acumulada nesse local. A quantidade de leite produzida por uma mulher não depende do tamanho das mamas, pois o leite é produzido pelas glândulas mamárias e não pela gordura acumulada nas mamas.

7 – A alimentação da mulher que amamenta pode causar cólicas na criança
VERDADE.
A cólica infantil se caracteriza pelo choro intenso e usualmente ocorre a partir de 6 semanas de vida. Habitualmente, ela costuma ser resolvida espontaneamente entre 3 e 6 meses. Como prática geral, não se recomenda excluir alimentos consumidos pela mãe durante o período de amamentação. Entretanto, ela deve ficar atenta para perceber se a cólica aparece ou piora nos dias em que ela consome um determinado alimento. Nesse caso, é muito importante procurar profissionais de saúde para ajudarem a lidar com a situação.

8 – Tipo de parto interfere na amamentação
MITO.
Tanto mulheres que fizeram cesariana quanto as que tiveram parto normal podem amamentar. Aqui já falamos sobre a importância da amamentação na primeira hora de vida. O que pode influenciar, no caso de mães que estão sentindo muita dor – devido a problemas de cicatrização, por exemplo –, é que há uma demora maior na descida do leite para os seios. Mas, na maioria dos casos, entre o terceiro e o quarto dia após o parto, a mulher já tem leite suficiente para amamentar o bebê normalmente.

9 – Mamadeiras e chupetas podem interferir no aleitamento
VERDADE.
Os bicos de chupetas e mamadeiras aumentam o risco de desmame, principalmente se dados precocemente. Sugar em uma mamadeira, por exemplo, pode confundir a criança, pois a maneira de sugar o peito e a mamadeira são diferentes, independentemente do tipo de bico da mamadeira. Se a criança sugar o peito da maneira como ela suga a mamadeira, o leite pode não sair tão facilmente e isso frustrá-la. Ela pode, inclusive, passar a recusar o peito. Leia aqui sobre quando chega a hora do desmame. 



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